Como quem vai crescendo,
Subindo,
Se distanciando,
As palavras me foram sumindo,
Subtraindo de mim a mínima parte que chegava ao mundo.
Fui inflando de conteúdo pensadosentido (emoçamentos).
Fui pensadasentida pelos conteúdos.
As palavras foram ficando longe
E eu grande
Demais para nelas caber.
Vida chovia do céu,
Brotava da terra,
Ventava dentro de mim.
E eu apenas estava. Crescia.
Sem perceber me agigantava.
E as palavras sumindo,
As ditas e as escritas.
Minha boca era pequena demais.
Não sei por onde a vida me evadia.
Mas nos meus olhos e poros a vida só vinha.
E as palavras, por onde eu a devolvia,
Sumiam.
Fui crescendo então,
De tanta pressão.
Passei por nuvens pesadas.
Em altitude de cruzeiro,
Pensamentos se desprenderam.
Na estratosfera não continha mais emoção.
Em gravidade zero,
As palavras se desmancharam,
Desenharam-se.
Pedi carona para uma rabiola,
Um a um os passarinhos se soltaram.
Caí
No reino das imagens
Da noite
Que penetravam, agora, meu dia.
Descobri que acima das palavras -
Mito maior,
Triunfo troféu de apego meu -
Havia as imagens.
Antes das imagens, havia as palavras.
Antes das palavras, havia a vontade.
Antes da vontade, o desespero.
Ante o desespero, o mundo inteiro.
Hoje pego carona nas palavras
E me solto na fábrica de sonhos.
Dela saem: minhas pontes, meu carrossel,
Meu coração, minha construção: eu, sonho meu.
02/11/2007
Que esta fábrica funcione sempre, dando emprego às nossas viagens!
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