quinta-feira, 22 de abril de 2010

CICLO

Então a dor ri de mim:
Antes de sangrar não canto
Desfaço-me por dentro
Em sangue e tormento.
Então a dor ri de mim e me salva:
Com meus algozes
Tortos e irascíveis pensamentos
Nada resta intacto, inteiro ou de pé
Senão minh’alma nua
Nenhum rancor, inveja ou contenda
Conforma-se em mim (ou comigo)
Nesse desintegrar-me
Centavo de nada me cobiça
Meu algoz-santo me essencializa
Com a aflição da última hora do dia
Resto-me matéria divina.
E as idéias fogem em borboletas.

06/04/2007

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