A vida já podia ser o que ela é:
ar que me envolve em seda.
Mas a vida que me acomodei foi outra
a esperar pelo meu pai
fiz cara feia
fiz que não queria
saber do macio que é andar pelo mundo.
E hoje sei e não sei.
Não que fosse minha intenção
fazer da dor meu troféu
mas há muito me dói o meu pai
por dentro,
porque ele não entrou.
Dele retive apenas o barulho do motor
que anunciava sua chegada na velha Usina,
que só produziu sonhos e memórias.
Fui feliz com aquele motor de chevette
que acelerava muito só para muito frear
e, sem saber, se anunciar para mim.
Pelos vazados dos tijolos
me alcançava a esperança:
tudo isso era o meu pai!
Tantas vezes meu pai se anunciou,
mas não entrou.
É pelos vazados da memória
que me alcança essa criança
feliz a esperar
pelo amor anunciado:
A menina e seu pai.
16/05/2009
Minha amiga, que lindo poema. Sua essência corajosa saindo pelo mundo é a própria liberdade encarnada de palavras. Eu quero mais!
ResponderExcluirQue lindo Jacque, confesso que essa poesia me fez chorar... e olha que só choro por Pessoa e Borges. .. Beijos e saudades minha querida
ResponderExcluirMuito bonito, Jac. Imagino a emoção de escrever e depois ler este poema. Legal. :-)
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