terça-feira, 2 de novembro de 2010

PÉ DE CACHIMBO

"E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou;
porque nele descansou de toda a
sua obra que Deus criara e fizera." (Gêneses 2:3)

Hoje é domingo...
O vento primaveril que levanta
meu vestido amarelo
me veste dominical.
E hoje é mesmo domingo,
que felicidade!
Sinto meu umbigo com Deus
alimento-me de suas coisas, todas.
Cada uma em seu lugar:
cachorro na coleira,
vizinho à vontade em suas poucas roupas,
mão a colher temperos,
temperos na macarronada,
almoço sobre a toalha quadriculada.
Os dias todos se declaram domingo,
um dia depois daquela madrugada.

Cigarras orquestram-se desde cedo
sobre as árvores
e precipitam sobre mim
sua chuva seca de som seco.

Tudo é
Domingo.
Dolce far niente.
Doce a mente.
Um dia cheio de sentidos
Cores, sabores, olhares, som nos ares.
O mundo todo hoje é domingo
O mundo todo hoje é uma janela
para o infinito.

Um comentário:

  1. "Dolce far niente!"

    Teu poema me deu um Domingo bem na quarta.
    Deus salve a poesia e as suas precedentes madrugadas.

    Obrigada!

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