No último dia
li um texto sobre os relacionamentos em uma nova era.
No pilão dos dias vencidos
macerava experiências novas, velhas, sentimentos e posições
sobre os novos tempos do amor.
No último sonho
morri pelas mãos de uma terrorista:
acompanhada estava eu de minha mãe, também morta,
de um líder político de meu país
e do sumo pontífice
não sei de que lado eles estavam
não sei
e acho isso importante
não saber de que lado eles estavam
a chance de morrer era enorme
dentro de um carro cheio de bombas
(agora me vem um rasgo de riso)
um rapaz foi poupado
e me deu a notícia
- não tem jeito, você morre!
primeiro impulso cerrrei a alma e
aguentei brava e dura
com a epiderme mutante
que ganhei nos primeiros anos da vida adulta
segundo ato
lembrei de meu cachorro
e de minha melhor amiga
- peça pra ela cuidar dele!
pedi, já não tão dura
tentei escapar
mas a fumaça cinza me pegou
no corte das escadas, de olho na janela
e caridosamente acordei da morte.
Estou no primeiro dia
e me alcança de hora em hora
um sobressalto de mistério
uma vontade de chorar reza
carregada de vontade de ser
e de dizer como mantra
da cabeça para dentro
uma só palavra.
Antes em mim habitava
um NÃO, bem grande,
(assim de lado na vertical)
Depois esfomeei de SIM
e corri furiosa ao mundo
engolindo sonhos antigos
com novas coragens.
Um dia depois de virar
cinza e pó
sou corpo para uma só palavra
que assopro para dentro
e ganho com isso assento e asas.
Toma conta desse corpo que agora
é seu, palavra minha:
DEUS, DEUS, DEUS, DEUS.
06/05/2011
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