Uma palavra digo.
Como feitiço
sai da boca vento forte
que arrasta nuvens
negras,
e antecipa as horas noturnas.
Sim, trovejo desejo
depois trovejo morte!
Porque agora acredito
em mim
paralizo-me
e agarrada a este tufão
de ventania
lanço tal sorte.
No amor sempre cri
por isso sempre fui
de fazer malas.
Era viver no paraíso primeiro
que me arrumava
e me enfeitava de festa
para as ilusões.
Tanto amava tanto o amor!
Agora tenho
mãos amáveis
a segurar a minha,
corações grandes
a ouvir o meu,
gestos nupciais
me atraindo
à sedução,
e digo a
palavra que troveja: NÃO.
Digo 'Não',
nada serena,
meneio a cabeça,
perco o chão,
me apóio no tronco
do tufão,
enquanto um choro de dentro e profundo
escurece um pouco a face do dia
luto, um choro de luto
pela noiva que morre
no altar que desvanece.
Mas nalgum lugar
mais perto e contente
meu noivo aparece
monta seu cavalo
sorrindo
e vem alado
pousar sua fé na minha.
06/05/2011
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