sábado, 18 de junho de 2011

NA COMPANHIA DELLA FOLLIA

(Em homenagem a Companhia della follia de Trieste)

Extravagante
é o prazer de se perdoar.
Deixo a tristeza acontecer denovo,
pois a partir de hoje tenho álibi novo,
vivo por teorias mais belas.
Já fui triste por ter nascido manca mesmo de sorriso.
Depois foi por depositar esperanças demais nos parapeitos das janelas.
Depois do depois passei a não ser mais, desde que fiquei tecnicamente correta.
Agora dá de acontecer novamente e é uma alegria!
É por ter vergonha de largar o carro no sinal fechado
e ir dançando ao invés.
- Alguém me acompanharia nessa dança de risco?
Enquanto ninguém se atreve à minha vitrola
dentro do carro solto o tango, largo o volante e danço,
e chamo o Luciano (quem é Luciano?!).
Canto, grito, choro, lembro e caio no riso até chegar a casa.
E as maiores alegrias chegam junto.
Preciso dizer que, às vezes, quando dirijo
choro de tanto amor que sinto pelos meus amigos.
É preciso que eles saibam disso! E aí acontece
d’eu ficar triste, porque é isso: eu amo e eu amo quando dirijo
só isso.
Extravagante é meu desejo.
Quero-os todos nus, quero-os todos loucos, todos mancos
para eu pisar bonito,
cantar meu hino
e não ter aquela incômoda sensação de estar no recreio do colégio
só de calcinha
sozinha!
Para eu andar à vontade
Ah... tivera eu mais coragem!
Riscaria o fogo da folia
e cometeria o paraíso
do riso frouxo, do choro fácil
da dança fortuita
das declarações no tráfego.
Ah... tivera eu menos covardia
e eu seria uma só poesia
a beijar a boca do mundo.

10/06/2011

Nenhum comentário:

Postar um comentário