É uma experiência de humildade, não de fracasso, saber que você veste o outro com as capas dos fantasmas e fantasias do seu próprio carnaval e velório e ainda sim amá-lo e se deixar amar ardentemente nessa ficção. Entre uma declaração e outra ou no momento do vazio no pós-gozo é que se vê o outro nu e que se revela sua própria humanidade. É ali que sem perceber as almas se reconhecem. Mesmo nas relações superficiais e toscas nas quais falta quase tudo: amor e neuroses, até mesmo nessas há poesia. Se bem observado o encontro das almas se dá no constrangimento do não afeto, nos olhares que preferiam se vendar. É aí que os dois se encontram. Eles estão juntos: eles fogem juntos. Habitam agora o mesmo mundo, falam os mesmos gestos dialetos mudos. Ambos são bichos. Ambos ainda tem o mesmo medo de amar.
Lindo. :-)
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