segunda-feira, 4 de julho de 2011

ENCONTROS

Por esses dias, descobri o que é a poesia. Não que eu quisesse defini-la, nunca pretendi explicações, mas a própria poesia sempre me foi um encanto e um assombro. E como a tudo que desejo, a poesia sempre esteve em mim como pecinha de quebra-cabeça a ser encaixada a qualquer momento, numa filosofia, na própria poesia, numa contemplação, em outras artes. Mesmo quando não a produzia, a reconhecia por aí. E ultimamente tenho esbarrado em outras pessoas que se encontraram com ela. E, talvez pela nossa distância, pude ver melhor e foi então que vi: a poesia é o encontro.

Primeiro quando as emoções encontram as palavras. Depois quando a emoção de quem lê encontra a emoção de quem escreveu. Há também as poesias abstratas: quando uma pessoa encontra a alma de outra. Noutro dia esbarrei com esse tipo poético feito por uma amiga que conheceu um amigo (b) de um amigo (a). Ele (b), um pouco mais solto pela bebida, encontrava suas emoções e se desencontrava da mulher. Ela, a mulher, não fez poesia com ele, fez cara feia. Mas minha amiga fez: o encontrou no jantar que ofereci, e continuou o encontrando por vários e vários dias. Tanto que chorou dentro dela as suas lágrimas e as lágrimas dele, suspeito de um encontro de lágrimas. Minha amiga fez muita poesia. Mesmo que o amigo do meu amigo não saiba que foi encontrado.

Noutro dia, vi a poesia de outro amigo. Ele encontrou a sua num documentário que fez para os 100 anos dela. O neto fez poesia com a avó, que gosta de fazer poesia com carnaval lá do Recife. E ela talvez nem saiba da poesia que houve em nome dela.

Ultimamente tenho visto muitos filmes sobre encontros, num desses vi uma moça acreditando para um rapaz que Deus não estava dentro dela, mas no espaço entre os dois. No espaço entre duas pessoas: no encontro! Guardei. Encontrei-me com essa frase e ando me encontrando com encontros desde então.

De tanto esbarrar em poesias alheias senti saudades, quis me encontrar também. Daí, me lembrei que faço poesia diária com meu cachorro, nos encontramos muito, até porque não há palavras, aí a conexão é direta. Espero ainda um dia fazer poesia em forma de gente. Ah, fiz poesia comigo mesma noutro dia no consultório do analista! Me encontramos a menina e a mulher dentro do silêncio. E, acredito que o analista encontrava a gente, melhor para ele, que também terá feito sua poesia.

Acho que retomei minha função de nada fazer e fazer encontros, acho que ando fazendo poesia abstrata, sem palavras, com pessoas e animais. Tenho me encontrado com encontros e tenho visto Deus por aí. Poesia é o encontro do humano com o divino. É o encontro com o encontro.

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